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CRMV-PE participa de simpósio sobre leishmaniose em Caruaru

Médica veterinária Janilene Oliveira. Foto Arnaldo Felix

Conscientes da importância do combate a leishmaniose visceral através do conhecimento da doença e como funcionam seus vetores de transmissão, a Prefeitura de Caruaru, através da Secretaria Municipal de Saúde, e com apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV-PE), realizou, na última terça-feira (7), o I Simpósio Municipal de Leishmaniose Visceral – Desafios na Saúde Pública. No encontro, com palestras e debates, estiveram presentes representantes da Secretaria de Saúde de Caruaru, da Fiocruz, da Universidade Federal de Pernambuco e do CRMV-PE, representado pela médica veterinária Janilene Oliveira e Mirna Montezuma Machado, conselheira suplente da instituição.

A leishmaniose é uma das doenças infecciosas que mais afeta os cães no Brasil, com um considerável aumento no número de casos confirmados nos últimos anos. Antes, mais comum nas zonas rurais, a leishmaniose agora cresce em áreas urbanas, o que aumenta o risco de disseminação. A doença desperta ainda mais preocupação porque também é transmitida para humanos, já que apesar de não serem transmissores da leishmaniose, os cães infectados se tornam uma espécie de reservatório do parasita, repassando a doença. Um caso de saúde pública.

I Simpósio Municipal de Leishmaniose Visceral. Foto Arnaldo Felix

De acordo com um levantamento feito por Caruaru, em 2016, só no município, foram registrados seis casos da doença em humanos. O mesmo número registrado em 2017. Este ano, até o momento, há conhecimento de um.

“A população precisa saber que o tratamento da leishmaniose visceral não é feito em um mês. Um animal contaminado passa muito tempo sendo tratado e acompanhado de perto. O dono também precisa contribuir levando o pet sempre ao veterinário, para que o profissional possa dar continuidade ao tratamento e saber como a doença está evoluindo. São coisas que só podem ser feitas pelo veterinário, por mais nenhum outro profissional”, explica Mirna, alertando para a importância da situação. “O combate à doença deve ser uma ação conjunta. Os médicos veterinários devem ficar atentos, para diagnosticar com brevidade os casos, a população pode alertar as autoridades sobre áreas de foco, as entidades devem debater a questão de meio ambiente e questões legais, como o sacrifício ou não dos animais positivos… O controle passa por todos esses agentes”, conclui.

Paulo Florêncio, secretário geral de Vigilância em Saúde, também esteve no simpósio. Em relação aos animais contaminados, segundo ele, em 2017, dos 36 cães testados em Caruaru, 20 foram positivos para leishmaniose. Este ano, 22 animais já foram testados, sendo 14 deles positivos para a doença.

Médica veterinária Janilene Oliveira. Foto Arnaldo Felix

O simpósio acontece, coincidentemente, quando a leishmaniose visceral faz mais uma vítima fatal no Estado. E as indicações apontam que o contágio da vítima aconteceu justamente em Caruaru, nos arredores do Sítio Tabocas. O senhor, José de Paulo Pereira Filho, conhecido como Zé Brasil, estava internado há menos de um mês, sendo diagnosticado, inicialmente, com quadro de anemia. A confirmação de leishmaniose visceral apareceu em seguida.

Com a gravidade da situação e visando evitar novos casos, será realizada uma ação conjunta, esta semana, nas intermediações do Sítio Tabocas, entre agentes de endemia de Toritama, Secretária de Saúde de Caruaru e o Governo no Estado. A ideia é descontaminar a área e analisar os animais de rua da região.

O I Simpósio Municipal de Leishmaniose Visceral – Desafios na Saúde Pública faz parte de uma lei sancionada pela prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, e deve voltar a acontecer todos os anos, no mês de agosto. A ideia é promover discussões sobre o assunto para que mais medidas sejam tomadas visando sempre o combate ao vetor.

 

Mais sobre leishmaniose

 A leishmaniose é uma doença infecciosa causada pelo parasita “leishmania”. A transmissão se dá pela picada do mosquito flebótomo infectado, também conhecido como “mosquito palha”. O diagnóstico da doença é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais e, assim como o tratamento com medicamentos, deve ser cuidadosamente acompanhado por profissionais de saúde.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a leishmaniose é a segunda doença causada por parasitas que mais mata no mundo, perdendo somente para a malária. A doença tem alto percentual de morte se não diagnosticada e tratada a tempo.

 

Veja aqui a matéria da Rede Globo (TV Asa Branca) sobre o assunto